Tuesday, July 10, 2007

Amizade sincera e o carinho gratuito, são coisas que não tem
preço. Um momento que a gente guarda na memória vai para
a eternidade. Este aqui é um deles. Em Maceió, Vovê Dedé,
Maria Júlia e Vovó Cléia.
Não há palavras que demonstrem o que eles sentiram neste
encontro.

' Coração Divino de Jesus, providenciai e dai-nos a paz!

Todos os dias os céus publicam as glórias de Deus e o firmamento, pr sua vez vive dizendo: " foi Deus quem me fez!"


" O Senhor é minha luz e minha Salvação. De quem terei medo?

O senhor é meu abrigo, que protege a minha vida.

Quem me fará tremer?"

Monday, July 09, 2007

Por nykollaus
Essa história acontece ainda hoje, a despeito de todas as diferenças sociais.

Ouvi contar e resolvi registrar para, inclusive possibilitar pesquisa sobre o comportamento de nossas comunidades interioranas.


A radiadora diferente

Meu amigo leitor, que Deus te ajude
E ilumine com a luz da sapiência
Pra que não lhe abandone a inocência
Necessária à vida com humildade.
Ser direito é difícil é bem verdade
Nesses tempos de angústia e desespero
Onde sobra a mentira e o destempero
Se abandona a justiça e a virtude
Pra viver nesse mundo, Deus te ajude...
E ensine o caminho verdadeiro.

Companheiro, eu vou lhe contar um fato
Que acontece sempre em uma cidade
É ato de profunda caridade
Consolar os aflitos, fino trato.
Quando ouviu de sua esposa o relato
Esse fato espantou o trovador
Imagine o meu caro leitor
Quanto bem se envolve nesse ato
Pra viver nesse mundo, Deus de fato
Nos ensina o caminho do amor.

Acontece na Costa sol Nascente
Onde o sol brilha antes neste céu
Na cidade onde a noite tira o véu
Veja só que negócio diferente.
Num lugar onde conta tanta gente
Que uma cobra sob o pé de Maria
Bem embaixo de uma sacristia
Cresce um pouco sempre que um descrente
Pronuncia o nome da serpente
De chocalho e veneno: Cascavel!

É sabido entre aqueles moradores
Esta história esquisita e meio torta
Se a serpente aumenta pouco importa
Pois lhe esmaga a cabeça a Mãe das Dores.
Acrescentam ainda os contadores
Explicando as origens do seu nome
Que dali a coragem não se some
Pois faz parte também de seus valores
Cascavel, a serpente dos temores
Batizou a cidade com seu nome.


Apesar dessa história interessante
Envolvendo a origem da cidade
Há ainda estranha caridade
Que se presta em momento importante
Informando às famílias mais distantes
Com tristeza, a notícia sofredora.
Da partida da alma moradora
De um parente, ou amigo para adiante.
Anuncia com voz entrecortante
Ampliando o som na radiadora.

Pois o carro de notícia tão triste
Cruza então a cidade, ponta a ponta.
Dá o nome, a origem e ainda conta,
Do finado, a família, aonde existe.
Que o velório não fique solitário
O ouvinte apareça solidário.
No momento de dor, quem que resiste?
Caridade assim ainda persiste
Nesse tempo e ninguém pense o contrário.

Vem de um tempo remoto a tradição
De sessenta a década extinta
Um indivíduo deixou de usar a tinta
Deste mundo e fez sua inscrição
No livro de são Pedro a anotação
De seu nome ocorreu na mesma hora.
Mas aqui nesse mundo a demora
Da notícia causou complicação.
Passou mais de um mês da morte e então,
A notícia chegou, péssima hora.

Foi daí que a idéia iniciou
Na bonita cidade, Cascavel.
O padre da capela bem fiel
Aos dizeres de cristo, convocou
Todo o povo e então deliberou,
Que outro fato igual não acontecesse.
Que a família daquele que morresse
Cujo o pranto talvez não começou
Da notícia soubesse e aconselhou
Que o consolo chegasse a quem sofresse.

Foi então que entre tantas pastorais
Que serviam naquela sacristia,
Convocou-se a Legião de Maria
Que atendesse ao chamado e ninguém mais
Mas a despeito daquilo que se faz
Com respeito, coragem e compromisso...
Com efeito, veio à pecha qual feitiço,
Apelido cruel que só desfaz
De um serviço de gente bem audaz
Que merece respeito e honraria.

Consolar os aflitos, mandamento,
Foi missão espinhosa e desafio,
Enfrentado com fé e sem desvio
Por mulheres e homens no momento.
Foram pés que buscaram esse intento
Dos Chorós até mesmo à Vaca Morta,
Às famílias buscavam, porta em porta,
Avisar do infortúnio e dar alento
Incumbência difícil e argumento
Para muita conversa e desvario.

Pois não é que a presença dessa gente,
Que de branco se veste todo dia,
Olha só o destino, que ironia,
Comparado a uma ave diferente
Ao agouro ruim, foi de repente,
Que na boca do mundo que espalha
O apelido de "rasga-mortalha"
Foi usado a um correio tão servente.
De um modo até mesmo inconseqüente
Foi chamada a Legião de Maria.

Eu não sei quanto tempo que durou
Caridade tão nobre e necessária.
O depois é que mesmo aquela área
Foi crescendo e o povo aumentou.
O serviço ainda continuou
As distâncias maiores e mais casas,
Foi difícil para as corujas sem asas
Continuarem o que se iniciou
Pra manter a palavra que empenhou
A igreja teve que trocar a sandália.

Eram poucos e não alcançavam esses pés
As distâncias que aumentavam na cidade.
Um veículo chegava é bem verdade
Mais depressa, e a mais cantos sem revés.
A promessa do padre aos seus fiéis
Se manteve de forma redentora
Pois o som daquela radiadora
Na buléia do carro “ deu de dez”.
Desse jeito mantiveram-se os papéis
Muda o jeito, mas não a caridade.

E assim de um jeito bem sereno
Esse carro cumprindo seu papel
A tradição permanece bem fiel
Pois no início com o padre nazareno
Que lançou a semente, grão pequeno
Com as pessoas da Legião de Maria
Esse gesto acontece hoje em dia
Seja o tempo de sol, chuva ou sereno,
A cidade aprendeu e vai mantendo
Dessa radiadora o aluguel.


Eu não sei o que o tempo vai dizer
Quanto ainda durará tal gesto
Mas daqui eu registro e manifesto
Que o fazer é maior que o querer.
À falar mal prefiro bendizer
Divulgar esse ato tão profundo.
Se existe ou existiu nesse mundo
Em algum lugar tal proceder
Eu lamento, mas não dou parecer
Pois da história do mundo pouco testo.

Ouço muitas histórias todo dia
Muitas delas até já me esqueci.
Mas com esta aqui me enterneci
Resolvi escreve-la com alegria
Por achar que talvez alguém leria,
E em dez pés coloquei o meu assunto.
Nessa vida o que espalham eu ajunto,
Mas só conto o que sei, sem ironia.
Se você aprendeu por esta via
Obrigado por ler o que escrevi.